o desânimo tomou conta de quase todos os Gremistas depois da partida contra o liverpool. à primeira vista, nada mais justificável, uma vez que o torcedor esperava mais que um empate e principalmente um melhor futebol. o Grêmio do ínicio de 2011 parece ter retido apenas um bom aspecto daquele que terminou a temporada passada: a eficiência em lances de bola parada, como no caso dos dois gols, e no quase gol do andré lima depois de uma falta cobrada e bola espalmada pra frente pelo goleiro. o problema, assim, parece se estender para além da saída de jonas, afinal, a equipe demonstrou fragilidade em todos os setores. mas o que eu quero agora é ser o bastião do otimismo nesse momento de apreensão. primeiramente, vou falar das peças do sistema ofensivo:
Paulão ganhou quase todas as bolas que disputou no chão com os jogadores do liverpool, jogou com segurança e tranquilidade (não devia ter apostado em fazer lançamentos, mas quando o time tá certo no meio, esse tipo de recurso nem passa pela cabeça de um jogador sério como ele).
Rafa Marques não jogou mal, apenas indicou ter sentido o peso da competição, com um pouco de afobamento e sucumbido à catimba uruguaia. frente à chegada do Rodolfo, Rafa desponta como uma excelente opção para reposição na zaga.
Gabriel pode não ter tido a atuação que se espera dele, mas atribuo isso a uma possível causa: ao contrário de sair para o jogo, ele ficou retendo posição. se o fez por intervenção do Renato ou por limitações física, eu não saberia dizer. em todo caso, nenhuma das razões depõe contra ele: ordem de um treinador como Renato se obedece, ritmo de jogo se recupera com o tempo.
a maior carência do Grêmio na 1° linha acabou sendo Gílson. que o guri tenha sentido o peso da libertadores, não resta dúvidas. o que não se pode fazer é julgar sua capacidade técnica com base em um jogo, muito menos quando nesse jogo todos os outros jogadores também estão abaixo do esperado. ano passado, nas vezes que entrou na lateral, demonstrou ter condições de dar a mesma contribuição que o fábio santos dava (e como falei no post anterior, nesse setor não estamos precisando mais que isso). eu ainda tenho uma predileção pelo Neuton – em parte porque não sei o que esperar do Bruno Collaço, em parte pelo guri não sentir as partidas difíceis (basta lembrar do primeiro Grenal em que ele atuou ano passado).
no meio, Rochemback parece ser o jogador que começa o ano melhor preparado. ele está com o mesmo vigor físico de um mês atrás, e a bola até parece estar mais redonda no pé dele.
Vílson, apesar de ter entrado bem, tem um aspecto contraintuitivo na sua atuação como volante. mesmo sendo um zagueiro de origem, ele se destacou mais saindo com a bola (inclusive, dando assistências que pareciam de um meia articulador), do que ajudando a encurtar os espaços do liverpool. nesse sentido, a titularidade do Adílson (que talvez já volte para o jogo no Olímpico) é inquestionável, mas mais uma vez podemos contar com uma peça de qualidade no banco.
Douglas, cuja habilidade só um louco, um inimigo pessoal ou um colorado pra questionar, está, de fato, com o pé descalibrado, o que ficou nítido em dois lançamentos em profundidade que buscavam o Lúcio e foram direto para a linha de fundo. esse é o tipo de jogada fácil para alguém da precisão e inteligência do Douglas, o que mostra que falta ainda ritmo e mais treno com a bola para o jogador. mas isso, vou repetir, é questão de tempo e de calma.
Lúcio foi outro que acusou o golpe das férias. de todo o meio, foi o que mais deixou a desejar (nem apareceu no segundo tempo, salvo em um único lance). por outro lado, foi o que menos teve oportunidade de jogar nesse início de temporada. mas, ainda assim, mostrou que continua e bom e velho Lúcio ao dar um pataço, já quase sem ângulo, que explodiu na trave. esse tem tudo pra ser um dos nomes dessa libertadores, pela qualidade mas também pela experiência na competição.
por fim, o ataque. falar do segundo homem é muito difícil depois da saída do jonas. é muito difícil porque involutariamente a gente acaba fazendo comparação e então o desespero é consequência imediata. isso porque jonas tinha tudo: movimentação, qualidade no drible, qualidade no passe, excelente finalização. vai ser difícil, inclusive, contratar alguém tão completo por um valor dentro das possibilidades financeiras do Grêmio. minha proposta otimista é das mais safadas: vamos esquecer o jonas.
Júnior Viçosa mostrou que tem potencial. voltou para se aproximar dos meias, carregando a bola com qualidade. para quem não é da função, teve uma excelente estréia, mostrando que pode, mediante o trabalho em certos fundamentos, aprender a cumpri-la. não seria o meu ideal, pois tenho em mente um jogador com mais velocidade para essa função. gostaria que o Grêmio tivesse pela direita um antigo ponteiro, para aproveitar a velocidade que o próprio Douglas imprime no jogo mediante a passada rápida e milimétrica. é o que eu gostaria que Vinícius Pacheco conseguisse, assim ele poderia cair junto com Lúcio dando mais opção para a articulação do Douglas. sobre a atuação de Vínicius Pacheco, não há o que se dizer: no segundo tempo o Grêmio jogou todo no seu campo pra conter o adversário. fica pra próxima.
por último, andré lima fez exatamente o que tinha que fazer: mostrar que não é apenas uma cereja decorativa isolada na ponta do bolo, mas um homem que determina a partida quando a bola chega ao seu alcance. sou muito simpática à sua objetividade, basta alguém que meta a bola pra dentro pra ser campeão.
dito isso, eu concluo que a maior pedreira do Grêmio é mesmo a partida de volta. o liverpool deu um banho de folego no Grêmio e chegarão vivos a porto alegre, de modo que essa sim que vai ser a partida de suas vidas. mas se eliminar os uruguaios, o Grêmio vai ter a chave perfeita para colocar o time no lugar e adquirir pegada – as vezes é preciso dar uma sorte dessas pra ser campeão. se o Grêmio caísse em um grupo da morte haveria, sim, o risco de nem chegar às oitavas. mas nessa situação, a tendência é só o crescimento. o Grêmio chegará pronto na fase de mata-matas.
agora, mesmo se não passar, vai ter ainda a vantagem de se focar completamente no brasileirão e aí meu amigo, aí que nessa competição, por uma série de razões que não vou falar aqui, eu sou ainda mais confiante. então o negócio é para de chorar pelo jonas, de se desesperar com as atuações e lembrar das palavras do renato quando assumiu o Grêmio: time que tem qualidade não desaprende a jogar, é uma questão de tempo pro Grêmio recuperar o bom futebol.